
Desejado Presságio
Celeste Sopro Ubíquo Omnipotente,
Vénera formosura apanagiante
Evoco, em sensivo nuelo brotante,
Onde me perco e acho perficiente.
Chão anuviado, íntima profecia.
Súbito, atro afável Canis, bastão
Apagado, imódica imolação!
Pérfido, herma demudo!... Idolatria?...
Pura vida exundada impressionante!
Barro a preciosa mais triste de lama
Natura magnânima, doído estou!
Um tomo já me conta dissonante:
Dedicação a uma pessoa que ama!
Serás tu, dona destas costas ou?...
Aveiro, 12-12-1995
Africana
Sinto ao longe o lento fastio saciado
Cheio de si na certa mágoa terna,
D´anseios pelo desejo viciado
Escondido em sol-posto frio hiberna.
Da sorte achada não me idolatro.
Recolho-me à fé, breve fantasia,
Do rosto lavado não reza o atro
Véu donde nasce a boémia maresia.
Nu de ti sei tudo o que não preciso.
Em teu doce pêndulo de clausura
Aberto ao tácito amor tão conciso
Gravo africana gentil formosura,
Tino de bem-estar, cativo sorriso,
Que é tão esquivo como perdura.
Aveiro, 17-02-2006

Gostei dos teus poemas, são tão enigmáticos quanto a tua pessoa… por vezes ríspido, outras exigente, outras doce e ingénuo como um menino, que sabe o que quer, outras ainda nostálgico…
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