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A Poesia de Cantante no Facebook

Quarta-feira, 29 de Junho de 2011

Concurso de Poesia "Letras da Primavera", 2011 - 2º lugar para o soneto "Primavera de Neve e Nozes"

Foi com gosto que recebi este motivador prémio, pelas mãos da Sra. Professora Bibliotecária da Biblioteca Municipal de Anadia, Sónia Almeida, relativo ao Concurso de Poesia "Letras da Primavera", 2011 - 3ª edição. O meu agradecimento a todos quantos tornaram possível esta iniciativa poética e os meus sinceros parabéns à Biblioteca Municipal de Anadia no seu 3º aniversário. De destacar as excelentes e diversas atuações culturais ao longo do sarau de premiação. Bem-haja a todos. Deixo-vos com o poema premiado.

Primavera de Neve e Nozes

Na primavera ouço a neve cair,
Barulho de grit´alma soluçada,
Nascimento doloroso a esculpir,
Manjedoura de sonhos mal amada.

De tua razão, desviada andorinha,
Sente o murcho lírio tão contorcido,
Que plantado p´la estrada não caminha,
Não pode ser o que teria sido.

Enganada em sedutora agonia,
Enche o feito peito aos atros e atrozes
Na primavera que acalenta o dia

Destas que pairam, me comem ferozes;
Volto a sonhar p´lo que em tempos sentia
D´alma, primavera de neve e nozes.

Aveiro, 04-03-2011

Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

Livros Publicados - XI Antologia Poética, Círculo Nacional d´Arte e Poesia, 2011












Digno do Fim

Dado o lustre, social una esperteza,
Tudo orgulho desfeito, desafio,
Não dou de mim fausto, inda clareza,
Nem de quanto indiferente me rio.

Não só se despoja em plena certeza,
Ora se imunda desafiando o trio,
Tanta opulência goza da realeza
Que nada toma calor do seu frio.

Como queria estar por esse lado
Sem de luto perder parte de mim,
Nada enquanto somos divino o fado

Me faz não aceitar humilde sim;
O recanto aguarda o cheiro amado
Já quente, livre e digno do fim.

Aveiro, 14-12-2006


Vem Sempre e Toda

Trago o amor humilde mendigado,
Obediente, devaste silencioso,
Dizeres, dor, azevinho cheirado,
Torna a enganar inda doloroso.

Estou parado tocando a rebate
E por mais apelativo que seja
Todo o ricochete volta e me bate,
Por muito que olhe, olhe e não veja!

E se de todo o escuro saíres,
Liberta, vem depressa e de verdade,
Vem sempre e toda mesmo se traíres.

Porquanto de tudo a base amizade
Perdura sempre, mesmo se caíres
Do breu, sol-posto ou felicidade.

Aveiro, 04-01-2009

Terça-feira, 3 de Maio de 2011

Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

Prémio Literário Internacional Valdeck Almeida de Jesus 2010 - Menção Honrosa para o soneto "N´outra Margem" - Janeiro 2011

Foi com enorme satisfação que recebi esta gratificante e motivante Menção Honrosa no soneto "N´outra Margem" através do Prémio Literário Valdeck Almeida de Jesus. A referida Menção Honrosa acontece num círculo total de 1200 inscritos ao prémio a nível internacional e entre a selecção de 1500 poemas. Publico aqui o referido soneto dedicando-o ao Poeta e Embaixador Universal da Paz, Valdeck Almeida de Jesus, numa grata valorização e homenagem do seu trabalho como escritor e jornalista. Aguardo publicação em livro para breve.

N´outra Margem

Vou daqui sem nada levar em ti.
Algures te procuro n´outra margem
Feliz, cheia de gente que sorri,
Imenso corpo repleto e coragem.

Saudade de rio lavada senti;
Escassos braços ora em vã barragem
Tão eternos na noite que menti;
Em breu, desejo, infinita paragem.

E porque na veloz velocidade
Me afasto vendo-te então chegar,
Sei que encontro o caminho da verdade;

Conta-me ela que estarei a sonhar
Porquanto guardares realidade;
Teu regresso tornará a apagar.

Lisboa, 10-11-2007

Sábado, 3 de Julho de 2010

Jornais e Boletins Culturais - CNAP - Círculo Nacional d´Arte e Poesia - Boletim Cultural, nº 97, Ano XXI, Maio 2010



À Meia-Luz

À meia-luz medida em menos de metade,
É-me difícil ver os dedos
Carregados de impaciente verdade
Resistindo a todos os medos.
Hoje sei que ainda me deves aos amigos
Porque eles valem mais do que eu sonhava...
E do que tu...
E do que eles...
E nestes dedos são tamanhos os castigos
Que a recusa se alicerça em falso
E vê que só o amor não bastava
Já muito perto do cadafalso.


Aveiro, 02-03-2010

Segunda-feira, 1 de Março de 2010

Livros Publicados - Poiesis XVIII, Editorial Minerva, Fevereiro 2010



O Teu Íntimo

Vislumbro-te e logo toco o teu íntimo
Que figura na pessoa do ente,
Sendo o arrepio um toque tão ínfimo,
Premonição do tempo longo ausente.

Como pode a sensação explicar?
Tu sentes, eu sinto sem perceber
Que vão momento foge de se achar
Da sorte e enclausura sem saber.

E se tudo arrepiasse da não vida,
Toda a sorte caminhasse p´ra norte
Ou soubesse que ela foi tão traída?

Se todo o temor fosse justa morte,
Todo o calor e frio fosse ferida?
Eu sei que ela é nossa e não tem jazida.

Aveiro, 22-12-2008


Solo Prometido

Solo prometido ao lado do sonho
Destas que pairam, me comem ferozes,
Nos seus corpos de calma o meu ponho
No vasto lago ao som de suas vozes.

Então sou eu ao nascer e transponho
Livre, surdo de culturas e poses,
Seus corpos que ora não são meu medonho
Fim, som acordado, barco, velozes.

Sou de vós um pedaço ora em terra
Que não vos alcança, fado doutr´ano
E por ti, no caminho de quem erra

Ao abalar sofro do puro engano,
D´alta eternidade posta na guerra
Antes da serena paz do profano.

Lisboa, 10-11-2007

Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Livros Publicados - Poiesis XVII, Editorial Minerva, Março 2009












Destino

Pelo teu rosto de amor oblativo
Escorre a aspereza dos novos dias,
Ditos p´las árvores de fim cativo,
Que, sempre aqui, vigiaram se partias.

Semeado na escarpa cresço a direito.
P´lo vale que cala o silêncio solto
Poupa-se a mágoa, mata-se do peito
Saudade, incenso da batalha envolto.

Crivados no tempo, fim do destino.
Adivinha-se o começo da vida
Na ribeira d´água, qual veiga, o hino,

Verde que ora deixamos a sorrir.
Da espera tua ausentamos a ida,
Porquanto outros se afastam sem partir.

Aveiro, 27-05-2006


Castelo

Terra lustre e firme desembarcado,
Em alcateias afiadas de areia,
Não temo o doce suor deslocado,
Filo d´oiro jazida ora sereia.

Do desejo liberto, condor feito,
Pouso certo, da minha vida o ramo,
Aparto desejo, amor satisfeito,
Na luz da razão então sei que te amo.

Céu aberto, em água concolor
Pico o caminho na hora de tê-lo,
Hostil apaziguado amansa a dor.

Tudo o que me dás eu não sonho sê-lo,
Porquanto tu serás o que eu não for.
Enamorado aceito o teu castelo.

Aveiro, 29-07-2005